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Entenda a importância da COP15 ser no Pantanal de Mato Grosso do Sul.
- Silvana Nadir Garcia Machado MTE - 103/MS
- 20/03/2026
Por: Correio do Estado
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A realização da COP15 da CMS
no Pantanal sul-mato-grossense, entre os dias 23 e 29 de março, em Campo
Grande, é um movimento estratégico e simbólico. A maior planície
inundável do mundo é um elo crítico para diversas rotas migratórias das Américas,
abrigando mais de 550 espécies de aves que dependem de corredores ecológicos
funcionais para sobreviver, além de grande número de espécies de peixes.
A COP15 pretende promover
uma série de decisões em prol das espécies migratórias, a partir de uma análise
do estado de conservação desses animais e das ações previstas para as 133
partes da Convenção. Em 2026, o tema da Conferência é “Conectando a Natureza
para Sustentar a Vida”, que prevê a adoção de medidas para proteger não apenas
os destinos, mas também as rotas migratórias e pontos de parada.
Entre as várias espécies
migratórias, estarão em evidência animais que são símbolos dos biomas do país,
como as onças-pintadas, as baleias, os peixes amazônicos e os botos.
O debate internacional convida
os 132 países e a União Europeia a avaliarem a situação das espécies
migratórias, definirem prioridades para os três anos seguintes e tomarem
decisões conjuntas sobre políticas, ações e investimentos necessários para
preservar a migração dessas espécies e, assim, evitar a perda da
biodiversidade.
O que é a COP15?
A COP15 é o encontro para
tomada de decisões entre os países-membros da Convenção sobre Espécies
Migratórias, um tratado ambiental da Organização das Nações Unidas (ONU) para a
conservação das espécies migratórias, seus habitats e rotas de migração em toda
sua área de distribuição.
A cada três anos, a
Conferência das Partes (COP), principal instância decisória da CMS,
reúne asa 133 partes para definir as prioridades e o orçamento para
tratar das espécies migratórias.
É nesse espaço que os países
aprovam planos de ação, atualizam as listas de espécies protegidas e adotam
resoluções e decisões que orientam políticas públicas e iniciativas de
conservação ao redor do mundo.
Durante a conferência, são
feitas ainda recomendações para os países membros sobre a necessidade de
realizar mais acordos regionais para a conservação de espécies
específicas.
A Conferência avalia os
avanços na implementação da Convenção e define as prioridades para o triênio
seguinte.
Por dentro das espécies
migratórias
As espécies
migratórias se deslocam de um lugar para outro em determinados
períodos do ano, seguindo padrões que, na maioria dos casos, são regulares,
cíclicos e previsíveis. Esse comportamento ocorre em todos os grandes
grupos de animais, como mamíferos, aves, répteis, anfíbios, peixes e
insetos.
Na CMS, uma espécie migratória
é aquela cuja população, ou parte dela, cruza as fronteiras entre países ao
longo de seu ciclo de vida. Isso significa que a proteção desses animais
depende da cooperação entre diferentes nações.
As espécies migratórias
desempenham papel fundamental no equilíbrio dos ecossistemas, pois sustentam a
vida no planeta, nas dimensões ecológicas, econômicas e culturais para as
sociedades humanas.
Além disso, esses animais
exercem funções essenciais, como:
o transporte de nutrientes
entre ambientes terrestres, aquáticos e marinhos.
a polinização de plantas
agrícolas,
a dispersão de sementes
e o apoio a atividades
econômicas sustentáveis, incluindo o ecoturismo
indicadores da saúde
ambiental, pois alterações em seu comportamento ou em suas populações podem
sinalizar problemas nos habitats ao longo de todo seu percurso de migração “sentinelas”
de vigilância epidemiológica global e ambiental, ou seja, ao cruzar continentes,
atuam como sensores naturais capazes de refletir mudanças na circulação de
zoonoses emergentes e alterações ambientais que afetam populações humanas ou
animais de criação.
São protegidas sob a CMS
aproximadamente 1.189 espécies migratórias, distribuídas entre 962 aves, 94
mamíferos terrestres, 64 mamíferos aquáticos, 58 espécies de peixes, 10 répteis
e 1 inseto.
Corredores
Estarão em debate ações que
envolvem o estabelecimento de corredores de onças-pintadas no Pantanal, na
Amazônia e na Mata Atlântica.
Os oceanos também terão um
papel de destaque na CMS. O Brasil já se consolidou como liderança no tema,
especialmente após a COP30 de Belém, e haverá uma forte movimentação pela
criação de corredores azuis para baleias, tubarões, tartarugas e outras
espécies.
Espera-se que o Brasil se
posicione nessa agenda de maneira estratégica, em direção à criação de um
corredor azul na região de Abrolhos, protegendo essa área que é um berçário de
baleias e é o principal hotspot de biodiversidade marinha em todo o Atlântico
Sul.
Biodiversidade sob
ameaça
Atualmente, há duas principais
ameaças às espécies migratórias: a perda, degradação e fragmentação de habitat,
que afeta 75% desses animais, e a sobre-exploração, prejudicando 70% deles.
No primeiro caso, a expansão
da agricultura é um dos principais fatores responsáveis pelo prejuízo. Um
exemplo são as infraestruturas em rios, como as barragens, que impactam na
migração de peixes, por prejudicar a conectividade nas águas.
Já o segundo trata da extração
ou uso excessivo de uma população, acima da capacidade natural de renovação.
Essas espécies são retiradas da natureza para comercialização e consumo como
alimento, vestuário, artesanato, entre outras funções.
Para lidar com esse cenário, a
CMS divide as espécies migratórias em dois tipos: espécies ameaçadas de
extinção, que demandam proteção rigorosa e medidas urgentes de conservação, e
espécies cujo estado de conservação é desfavorável ou que se beneficiam de
ações coordenadas entre os países, como a proteção de áreas naturais, a redução
de ameaças humanas e o monitoramento das populações.
O primeiro grupo consta no
Anexo I da Convenção e o outro no Anexo II. A cada três anos, os países membros
se reúnem e atualizam essas listas, de acordo com o cenário da fauna e da
biodiversidade mundial.
Propostas
Durante a COP são avaliadas as
propostas de atualização dos Anexos I (de espécies ameaçadas de extinção) e II
(com estado de conservação desfavorável) do tratado internacional. É verificado
também o progresso das Ações Concertadas, àquelas coordenadas entre países para
lidar com as ameaças às espécies migratórias.
De acordo com a CMS, os
principais documentos que serão analisados na COP15 serão:
17 propostas de alterações nos
Anexos da Convenção, algumas envolvendo mais de uma espécie;
11 relatórios sobre a
implementação de Ações Concertadas no último triênio;
16 propostas de novas Ações
Concertadas para o próximo período;
Relatórios Nacionais
apresentados pelos países Partes da CMS;
Outros documentos técnicos e
políticos que subsidiam as decisões da Conferência.
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